Microondas – Sim ou Não?

Artigos, Exposições ambientais, Mitos


Este é um dos mitos que apesar de já ter sido “desmistificado” por várias pessoas, vale sempre a pena abordar. Quem nunca teve de aquecer comida e se perguntou “será que aquecer no microondas faz mal”? Desde ideias sobre radiação na comida, a perda de nutrientes, à diferença entre usar vidro ou plástico, hoje o plano é esclarecer algumas destas dúvidas. Para quem não quer saber detalhes e apenas procura um resumo prático, aconselho a lerem a conclusão 🙂

Como funcionam os microondas?

Primeiro, é importante perceber que o efeito da radiação na cozedura é um processo altamente complexo e, por isso, todos os estudos que abordam este tema também o são.

De forma simples, os microondas cozinham a comida através de ondas de energia. São ondas altamente seletivas e que afetam primariamente a água e outras moléculas, fazendo com que estas vibrem “umas contra as outras” e assim gerem energia em forma de calor.

Mito: Os microondas emitem radiações que nos podem fazer mal.

Segundo a evidência atual, os microondas são seguros e não há estudos que comprovem qualquer associação entre este electrodoméstico e doenças, quando usados da forma correcta. A radiação dos microondas (radiação não ionizante) aquece moléculas de água da comida mas não têm energia suficiente para quebrar ligações moleculares. Portanto, a menos que nos coloquemos dentro do microondas (enquanto funciona), essa radiação não nos atinge. Um artigo escrito na Science Based Medicine sugere apenas não usar microondas antigos e que não funcionem bem, assim como evitar estar directamente em frente ao microondas quando este está a funcionar (se quiserem ser extremamente cautelosos).

Mito: Os alimentos perdem mais nutrientes quando são cozinhados no microondas.

É um facto que alguns nutrientes são perdidos quando expostos ao calor. Contudo, isto aplica-se a qualquer fonte de calor, seja ela por cozedura em água, calor de forno ou de microondas. Um estudo  que analisou os vários tipos de cozedura concluiu que os métodos que preservam mais nutrientes incluem grelhados, assados e cozinhados no microondas, ao contrário dos cozidos em água ou em panela de pressão, que aparentemente apresentavam maior perda de nutrientes. Isto faz sentido se pensarmos que, no caso do microondas, o processo de cozedura é bastante mais rápido, e a exposição ao calor não é tão longa. Para além disto, sabemos que quando os alimentos são cozinhados em água muitos dos micronutrientes acabam por passar para a água.  Notem que noutros alimentos, a exposição ao calor pode aumentar a presença de um determinado nutriente, como o licopeno dos tomates e os carotenóides nas cenouras.

Verdade: Aquecer em recipientes de plástico pode libertar substâncias potencialmente nocivas.

Primeiro: depende do que está no plástico. Muitas vezes são adicionadas substâncias (como bisfenol-A, mais conhecido como BPA) ao plástico para melhorar a sua aparência e durabilidade. É verdade que algumas dessas substâncias, nomeadamente os BPA, são considerados “desreguladores endócrinos” (substâncias capazes de se ligarem a receptores hormonais no nosso organismo), e que, quando os plásticos são aquecidos em contacto com os alimentos podem libertar estas substâncias para os alimentos. Isto acontece mais com alimentos com maior teor de gordura (como carnes e queijos gordos). A FDA também sugere que pode haver outras substâncias mais pequenas que migram do plástico para a comida. Alguns recipientes “microwave safe” podem de facto ser mais seguros, ainda assim, nenhum será mais seguro que um recipiente de vidro. Neste sentido, faz sentido que de facto não se usem recipientes de plástico para aquecer comida no microondas (para além do plástico ser muito menos ecológico do que os recipientes de vidro).

Pessoalmente, não é a minha forma preferida de cozinhar a comida, acho que os sabores não ficam os mesmos. Mas é uma óptima forma de aquecer alimentos ou refeições que tenhamos preparado no dia anterior.  Mas aqui vai o resumo do que descobrimos:

Conclusão

Relativamente à segurança: O microondas é seguro quando usado para aquecer ou confecionar comida em recipientes de vidro ou cerâmica. Apesar de já haver muitos recipientes de plástico adequados para aquecimento no microondas, alguns levantam a preocupação de migração de substâncias nocivas ou desreguladores endócrinos e, na dúvida, devem ser evitados. Basta colocarem num prato antes de levar ao microondas!

Relativamente aos nutrientes: não há perda significativa de micronutrientes comparativamente a outros métodos de confeção.  

Como em qualquer situação, há que ter bom senso. Estarmos infinitamente preocupados com radiação do microondas mas depois estarmos 3 horas expostos ao sol na hora de maior calor ou fumarmos 10 cigarros por dia. É contraditório. Um estilo de vida saudável têm por base os hábitos que temos 80 a 90% do tempo, e como tal, se forem equilibrados e evitarem de forma geral a exposição a químicos e radiações, o risco de terem problemas será sempre menor.

Esperamos que tenha sido esclarecedor 🙂

Bibliografia:

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19397724
  2. https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/microwaving-food-in-plastic-dangerous-or-not
  3. https://sciencebasedmedicine.org/microwaves-and-nutrition/
  4. https://www.fda.gov/radiation-emittingproducts/resourcesforyouradiationemittingproducts/ucm252762.htm
  5. https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/microwave-cooking-and-nutrition

Planos Detox

Alimentação, Artigos
 
Estamos a um dia da véspera de Natal e por isso não podia haver melhor altura para falar sobre isto. Sim… porque depois das fatias de rabanada deliciosas e do bolo rei tradicional, chegam as campanhas detox de “perca tudo o que ganhou neste Natal” e “comece o ano novo com novos objectivos”. Pois bem, temos boas novidades: este ano, não vão ter de gastar dinheiro a comprar packs detox e passar uma semana a sumos verdes com sabor a aipo. 
Então porque? Passamos a explicar: 
 
 
 
O que é um plano detox?
 

Na sua grande maioria, o que os planos de detox comercializados atualmente oferecem, é uma dieta à base de sumos com a (suposta) capacidade  de desintoxicar o organismo de toxinas acumuladas. A ideia é que depois de alguns dias a beber sumos de frutas e vegetais, perdemos peso e limpamos o corpo de impurezas e toxinas que se possam ter acumulado no nosso corpo como resultado de algumas “más escolhas”. Contudo, não é bem assim: 

A alegação “detox” é uma alegação de saúde errada e não aprovada pela EFSA (entidade que aprova legalmente as alegações de saúde associadas a determinados alimentos). Sabemos que atualmente não há qualquer evidência científica que comprove a capacidade de “desintoxicar” destes tão falados planos e sumos detox.  A função de “desintoxicar” é mantida diariamente pelo fígado e rim, e a sua função não depende de nenhum sumo verde, roxo ou azul. Mais que procurar uma solução rápida para desintoxicar, é importante evitar a necessidade de o fazer.  Para uma boa desintoxicação o melhor é mesmo: não fumar, evitar beber álcool, e procurar comer de forma saudável ao longo do tempo. Sabendo que é natural haverem dias em que comemos menos bem, e que não é por isso que precisamos de fazer um “detox”. 

Como funciona a perda de peso nestes casos?

A perda de peso não é eficaz.  Pensa-se que por cada grama de glicogénio muscular, haja retenção de 3-4 g de água. Ou seja, o que acontece neste tipo de dietas é que depois de uma restrição intensa há diminuição das reservas de glicogénio e com isso perda de “peso de água” igualmente. Esta perda de peso é portanto passageira, e assim que se retomar uma dieta normal e equilibrada, muito provavelmente o peso é recuperado.

Serão benéficos a longo prazo?

São planos altamente restritivos, e como tal, na pessoa errada podem promover uma má relação com a comida, que a meu ver é sempre deletério. A ideia de que é necessário restringir alimentos inteiros, e passar o dia a beber sumos (que a mim pessoalmente não me da prazer nenhum), pode induzir um stress grande e ser por isso contraproducente. Adoro mastigar e comer bem. Desintoxicar o corpo para contaminar a cabecinha não serve de grande coisa, e certamente terá mais malefícios a longo prazo.

Serão um bom investimento?

São caros e uma despesa desnecessária. É natural e compreensível que depois de umas férias grandes ou fim de semana de excesso (como o natal por exemplo), se sinta necessidade de fazer uma dieta para nos sentirmos melhor. Mas para isso nao é preciso gastar 30 a 50 euros por dia em planos detox. Algumas dicas são: Aumentar a ingestão de vegetais, fazer refeições mais leves, cortar alimentos processados (incluindo refrigerantes, bolachas integrais), beber água/chá e fazer exercício. 🙂 Ser saudável não tem de ser caro, mesmo.

Conclusão:

Tudo isto para dizer: a solução rápida e aparentemente eficaz parece sempre mais fácil, mas nem sempre compensa. Um comprimido milagroso, uma dieta de 3 dias que “resolve tudo”, era o sonho de muitos nós, mas de facto não vale a pena, e é importante perceber que não há pressa. Se sentes que tens de perder peso: calma! Tens tempo para atingir os teus objetivos, e se o fizeres de forma gradual e adequada às tuas necessidades, provavelmente será uma perda de peso muito mais sustentável e saudável.  Acreditamos em promover o equilíbrio. E isso inclui uma alimentação variada, maioritariamente proveniente de alimentos pouco processados, com ingestão de fruta e vegetais, mas também, com certeza, com dias de festa e jantares com amigos sem escolhas pensadas ao pormenor.

Esperamos que tenham gostado deste primeiro artigo, e que nos acompanhem ao longo deste projecto 🙂 

Bom Natal e Boas Festas! Aproveitem para estar com a vossa família, sem restrições e sem excessos extremos. Importante é estarmos felizes e rodeados de quem gostamos! O ano tem 52 semanas e não é esta que dita o estilo de vida que temos ao longo do ano 🙂