Gordura, para que te quero?

Alimentação, Artigos, Sem categoria

Fala-se muito sobre o colesterol, mas será que todos sabem o que é e o que implica?

O que é o colesterol?

O colesterol é um tipo de lípido (gordura) com várias funções no nosso organismo, como por exemplo:

  • Formação das membranas das nossas células
  • Produção de hormonas (como a testosterona e o estrogénio)
  • Produção de ácidos biliares (necessários para digerir e absorver as gorduras)
  • Produção de vitamina D.

O colestrol é mau?

O colestrol em si é essencial e deve fazer parte da nossa dieta. O “problema” do colesterol não é a substância em si mas sim a quantidade que está em circulação no sangue.

O corpo armazena o colesterol de 2 formas principais:

·         LDL (lipoproteínas de baixa densidade) – também conhecido como “colesterol mau”

·         HDL (lipoproteínas de alta densidade) – também conhecido como “colesterol bom”

Apesar de não causar sintomas, a presença de colesterol (especialmente LDL) em excesso na corrente sanguínea contribui para formar placas ateroscleróticas, repletas de colesterol, que crescem dentro das nossas artérias, como exemplificamos na imagem a baixo.

Por sua vez, está bem estabelecido que isto aumenta de forma significativa o risco de vir a desenvolver uma doença cardiovascular (DCV), incluindo doença dos vasos que nutrem o coração – doença coronária, o cérebro -doença cerebrovascular e os membros – doença arterial periférica. Estas doenças podem provocar dor no peito (por falta de oxigénio nos tecidos do coração), enfartes, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), entre outros problemas.

Por estas razões, geralmente recomenda-se que os níveis de colesterol no sangue estejam dentro de limites considerados saudáveis.

Quando estes estão acima do indicado, consideramos que a pessoa tem uma hipercolesterolémia – fator de risco que deve ser tratado idealmente com alterações na dieta, mas que podem também levar à necessidade de medicação farmacológica.

Na maioria das vezes o colesterol elevado associa-se a um padrão alimentar desadequado, com elevado teor de gorduras e acúcares refinados, mas pode também resultar de alterações genéticas. Por isto, é importante perceber junto do seu médico qual a causa dos valores elevados.

Factores de Risco para Doença Coronária:

Além dos valores de lípidos no sangue, existem outros factores que aumentam o risco de doença coronária, como:

·         Dieta pouco saudável (uma dieta saudável é rica em vegetais, fruta, fibra e gorduras saudáveis, como as que encontramos no peixe e oleaginosas e pobre em açúcar e gorduras saturadas e trans)

·         Tabagismo

·         Idade (o risco aumenta com a idade)

·         Género (Homens têm um risco superior às Mulheres para qualquer idade)

·         História familiar (irmão, irmã, pai ou mãe) de doença coronária numa idade jovem (Homens com menos de 55 anos ou Mulheres com menos de 65 anos)

·         Diabetes mellitus (tipo 1 e 2)

·         Hipertensão arterial

·         Doença Renal Crónica

Qual deve ser o meu valor de colesterol?

Diferentes pessoas precisam de alvos diferentes. De uma forma geral, pessoas sem doença cardíaca, devem procurar valores:

·         Colesterol total  – inferior a 190mg/dl

·         Colesterol LDL – inferior a 115mg/d

·         Colesterol HDL- superior a 40mg/dl nos Homens e 45mg/dl nas Mulheres

Como posso baixar o colesterol sem medicamentos?

  • Seguindo o padrão de dieta mediterrânica, que parece diminuir os eventos cardiovasculares, nomeadamente:
    • Evitando comer alimentos ricos em gordura saturada (como por exemplo: carne vermelha, manteiga e queijos) e gorduras trans (alimentos processados e comida pré-feita: bolachas, bolos). Reduzindoconsumo de produtos animais.
    • Preferir fontes de gordura polinsaturada como oleaginosas (ex: nozes, pistachos)
    • Alimentação rica em fibra (preferir cereais integrais, evitando hidratos de carbono processados). Alimentos ricos em fibra solúvel (presente na fruta, aveia, feijões, ervilhas e cevada por exemplo) são eficazes a reduzir o colesterol total e LDL.
  • Perdendo peso (se tiver excesso de peso ou obesidade)
  • Sendo mais ativo

Além disso, gostávamos de ressalvar que, mesmo que estas mudanças não sejam suficientes para normalizar o seu colesterol, melhoram a sua saúde de várias maneiras.

Posso comer ovos?

Não há problema se gostar e quiser comer ovos, pode come-los com moderação: os estudos mostram que consumir até um ovo por dia não parece aumentar o risco de doença cardiovascular. A verdade é que são uma boa fonte de proteína e não elevam muito o colesterol no sangue. Gorduras saturadas (ex: carne vermelha, manteiga e alimentos fritos) afectam mais os níveis de colesterol sanguíneo do que os ovos.

Devo tomar suplementos/ produtos específicos para baixar o colesterol?

  • Suplementos de levedura de arroz vermelho – este suplemento pode reduzir o colesterol LDL (pois pode conter o mesmo ingrediente que está nos medicamentos usados para reduzir o colesterol). No entanto, tal como outros suplementos alimentares, tem o problema da falta de regulamentação e padronização: há grande variabilidade da concentração do princípio activo (monakolina K) entre as diferentes marcas de suplemento e diferentes estirpes da levedura (muitos dos produtos comercializados têm pouco do ingrediente ativo). Além disso, não existem dados sobre a sua segurança a longo prazo.
  • Esteróis vegetais: comercializados em vários produtos, como a margarina, podem reduzir o colesterol LDL. No entanto, não foram estudados os seus efeitos nos desfechos clínicos (AVCs, enfartes) em humanos, e tem havido alguma evidência de efeitos prejudiciais em estudos com ratos, pelo  recomendamos ter cuidado com estes produtos.

Devo fazer medicação para reduzir o colesterol?

Em primeiro lugar, destacamos que o objetivo fundamental do tratamento é a redução do risco cardiovascular (tenham ou não DCV estabelecida) e não baixar o valor do colesterol isoladamente.

Assim, nem todas as pessoas com colesterol alto precisam de medicamentos. O seu médico tomará essa decisão consigo com base no risco cardiovascular global (calculado em consulta) e outros fatores como: a sua idade, história familiar e outros problemas de saúde.

A decisão de iniciar ou parar terapêutica farmacológica deve ser sempre baseada numa opinião médica e feita tendo em conta a sua história e especificidades. Pelo que não deve tomar decisões baseadas em artigos online, blogues, ou livros publicados. Nenhum destes têm em conta os fatores de risco individuais que o acompanham.

Se o seu médico prescreveu, mantenha a toma: pode não sentir nada diferente mas ajuda a prevenir enfartes, AVCs e morte.

Bibliografia:

·         https://www.health.harvard.edu/topics/cholesterol

·         https://www.uptodate.com/contents/high-cholesterol-the-basics?topicRef=87108&source=see_link

·         https://www.uptodate.com/contents/high-cholesterol-and-lipids-hyperlipidemia-beyond-the-basics?topicRef=87108&source=related_link

·         https://www.uptodate.com/contents/lipid-lowering-with-diet-or-dietary-supplements#PATIENT_INFORMATION

·         Norma DGS: Abordagem Terapêutica das Dislipidemias no Adulto

Agenda de Maio a Dezembro 2019

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Olá Olá 🙂

Antes de mais, desculpem pelo enorme engano! a intenção foi boa mas acabei por mandar a versão errada a mais de 400 pessoas! Avisaram-me que os dias do mês não estavam bem alinhados com o dia da semana!

Deixo aqui o link para o calendário já correcto (espero)

https://we.tl/t-2wwhC06IyJ

Espero que percebam e me desculpem 🙂

Um grande beijinho, Margarida


Ovo – bom, mau ou vilão?

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Os ovos fazem mal ao coração? Afinal diminuem o risco de AVC? Então em quê que ficamos? Somos frequentemente bombardeados com informação contraditória sobre este tema pelo que pode ser difícil ter uma opinião formada. Neste sentido, neste artigo tentamos rever o que a ciência nos diz presentemente.

O Ovo

Durante muito tempo, o ovo foi encarado como um vilão devido ao seu alto teor de colesterol. De facto, é verdade que 1 gema grande tem cerca de 200mg de colesterol, tornando-o uma das fontes mais ricas de colesterol alimentar. Contudo, este alimento também contém outros nutrientes que podem ajudar a diminuir o risco de doença cardíaca. Além disso, outro ponto a favor do ovo é que a quantidade moderada de gordura num ovo (aproximadamente 5g) é maioritariamente monoinsaturada e polinsaturada.

Os ovos são ricos em:

  • Colesterol
  • Proteína
  • Colina
  • Biotina
  • Vitamina A
  • Antioxidantes luteína e zeaxantina

A imagem abaixo ilustra os valores nutricionais por 100 gramas ovo de galinha inteiro (cru), sendo que 1 ovo médio pesa entre 50-60 gramas, aproximadamente.

Então os ovos fazem mal?

Em primeiro lugar, é necessário enquadrar esta polémica. Antigamente, pensávamos que uma dieta rica em colesterol aumentava o colesterol no sangue (um fator de risco para as doenças cardiovasculares). No entanto, hoje sabemos que o colesterol dos alimentos tem pouca influência no do sangue e que, para a maioria das pessoas, as gorduras saturadas na dieta (ex: carnes vermelhas, manteiga, queijo) e gorduras trans (presente em alimentos processados como bolachas, ect.) influenciam mais o nível de colesterol no sangue.

Além disso, parece que o consumo de até 1 ovo por dia não está associado a aumento do risco de doença cardiovascular em indivíduos saudáveis (com base em 2 grandes estudos prospectivos cohort que incluíram quase 40 000 homens e mais de 80 000 mulheres). Por outro lado, importa ressalvar que isto não significa que o seu consumo descomedido seja aconselhável, especialmente para pessoas com diabetes mellitus ou alto risco de doença cardíaca.

Como sempre, é fundamental olhar para o contexto de toda a dieta, e não para para os ovos isoladamente: não é possível comparar um ovo estrelado, frito em óleo, acompanhado por salsichas e bacon com um ovo cozido acompanhado por 1 fatia de pão integral, por exemplo. Infelizmente, em alguns estudos tal não é tido em consideração, pelo que temos que ter cuidado ao interpretarmos as suas conclusões.

Mais, ter uma visão global também implica atender aos alimentos que iriam substituir os ovos. Por exemplo, os ovos serão uma melhor opção que produtos ricos em açúcar e cereais refinados (como cereais de pequeno-almoço adocicados, panquecas com calda ou bolos). Num cenário oposto, uma taça de aveia com algumas nozes e frutos vermelhos, por exemplo, poderá ser uma escolha melhor em termos de saúde do coração. Isto porque o consumo de cereais integrais e frutas prediz um menor risco de doença cardíaca, e quando se trata de proteína, fontes vegetais (como nozes e sementes) estão relacionadas com uma menor mortalidade cardiovascular e global, especialmente quando comparada à carne vermelha e ovos.

Assim, com base no que sabemos hoje, para aqueles que querem seguir uma dieta saudável, manter a ingestão moderada de ovos será melhor para a maioria.

Conclusão:

  • Os ovos são uma boa fonte de proteína e não elevam muito o colesterol no sangue. Alimentos ricos em gorduras trans e gorduras saturadas afectam mais os níveis de colesterol sanguíneo do que os ovos.
  • Assim, caso goste e deseje, consumir até um ovo por dia não parece aumentar o risco de doença cardiovascular. Para pessoas com diabetes e doença cardíaca, por exemplo, é especialmente aconselhável não comer mais do que 1 gema por dia.

Bibliografia:

É boa ideia fazer um check-up?

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Cada vez mais, os chamados “check-ups” são um motivo comum para que muitos adultos saudáveis, sem queixas ou fatores de risco, consultem o médico. Mas será que esta é uma boa prática? Hoje tentamos esclarecer esta questão com base na melhor evidência científica disponível.

Em primeiro lugar, o que é um check-up geral de saúde?

Os “check-ups” ou os chamados “exames de rotina” são uma série de testes propostos a um indivíduo que não tem sintomas ou fatores de risco, com o objetivo de prevenir ou detetar precocemente uma doença (ou fatores de risco), para assim reduzir a morbilidade (doença) e mortalidade ou para tirar preocupação ao utente.

Nota: É importante distinguir estes check-ups gerais de uma série de exames de rastreio selecionados, por exemplo, pelo seu médico de família de acordo com o seu julgamento clínico. Tentando simplificar, podemos pensar num check-up como um conjunto de exames previamente definidos, independentemente do seu perfil, oferecidos à população geral como um serviço. Contrastando, outra situação frequente, mas diferente, é quando os médicos de família, com base no que conhecem e avaliam da pessoa e seus familiares, propõem um conjunto de exames que consideram adequado ao perfil do utente que têm à frente.

A composição dos check-ups é muito variável, podendo ir desde um conjunto de testes simples (como a medição do colesterol e do o açúcar no sangue), até exames de imagem avançados (como a ressonância magnética). Os check-ups podem ser disponibilizados no contexto de saúde ocupacional a trabalhadores de determinadas empresas, como política de saúde nacional, ou, como acontece em Portugal, como um serviço privado, por preços que variam entre os 275 e 2000 euros.

Nota: As informações que partilhamos neste post baseiam-se em evidência robusta de qualidade (revisão sistemática e metanálise que analisou 17 ensaios clínicos aleatorizados, abrangendo um total de 251.891 participantes). Estes estudos comparavam a realização de check-ups gerais de saúde com a sua não realização (em adultos) e avaliaram resultados clinicamente relevantes (mortalidade global, por cancro e por doença cardiovascular).

Quais os riscos e benefícios de fazer um check-up geral de saúde?

Não se verificaram benefícios na população adulta geral. Esta prática não reduz a morbilidade (doença) ou a mortalidade em geral, por doença cardiovascular ou por cancro. Por outro lado, é importante lembrar que, assim como qualquer ato médico, a realização de testes de rastreio e exames de diagnóstico tem os seus riscos associados. Mais, por vezes dão resultados errados (falso-positivos) ou sem significado que, além de causar ansiedade, podem levar à realização de mais testes (e até tratamentos) sem necessidade.

Concluindo, podemos convictamente afirmar que não existe uma lista de exames que se deva aplicar a toda a gente de forma indiscriminada. A decisão de se efetuarem testes laboratoriais de rastreio (assim como a escolha dos exames a fazer) deve ser baseada na idade, sexo e fatores de risco de cada pessoa. Ainda assim, continua a justificar-se a investigação de testes de rastreio isolados, direcionados a patologias específicas e de preferência estudando resultados clinicamente relevantes como a mortalidade.

Na próxima semana, partilhamos convosco alguns exemplos de testes de rastreio direccionados a patologias específicas assim como as indicações para a sua realização, com base em evidência científica. Algum palpite?

Bibliografia:

Já não tenho o período. E agora? – Uma conversa sobre Amenorreia

Artigos, Exercício, Saúde da Mulher, Sem categoria


Olá olá! Hoje vamos falar sobre amenorreia (ausência de menstruação). Afinal o que é, porque ocorre e como se trata?

Este é um tema muito pedido já há algum tempo e, apesar de  bastante específico, é importante falar dele já que quando acontece é uma fonte de stress e que deixa muitas dúvidas e preocupações. É um tema extenso e que deve motivar a consulta de um profissional de saúde, pelo que hoje abordaremos apenas uma das suas (variadas) causas: a que se prende maioritariamente ao estilo de vida.

Nota: Nenhuma informação dada aqui dispensa a consulta de um médico. O intuito deste artigo é simplesmente o de contribuir para a educação na área da saúde 🙂

Antes de mais, é importante diferenciar amenorreia de ciclos irregulares. Assim, a amenorreia  refere-se à ausência de menstruação durante mais de 6 meses, e os ciclos irregulares definem-se por uma variação de ciclo para ciclo de mais de 9 dias, num período de referência de 6 meses.

A amenorreia (ou ausência de menstruação) pode ter várias causas, incluindo: gravidez, alterações anatómicas do útero, alterações genéticas, stress, excesso de exercício físico, etc.

Dependendo da sua causa, pode ser classificada como:

Primária se for numa mulher que nunca tenha menstruado antes, ou

Secundária, numa mulher que já tenha tido a menarca (primeira menstruação da vida) e que deixa de menstruar.

A causa mais frequente de amenorreia em mulheres em idade fértil é a gravidez (que deve ser das primeiras hipóteses a descartar!). Para além desta temos:

(retirada do http://metis.med.up.pt/index.php/Amenorreia )

Perante uma amenorreia, o primeiro passo é despistar as causas supracitadas em consulta de Ginecologia e Obstetrícia, Endocrinologia ou de Medicina Geral e Familiar, recorrendo aos devidos meios complementares de diagnóstico (análises, ecografia, etc.). Quando todas as outras causas foram despistadas, surge uma hipótese de diagnóstico designada segundo alguns autores como “Amenorreia hipotalâmica funcional” (AHF).

O que é?

A AHF é caracterizada pela ausência de menstruação devido a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, na ausência de outras causas anatómicas ou orgânicas para a amenorreia. De forma sumária e simples este é o eixo hormonal responsável pela regulação do ciclo menstrual, sendo que estimula a libertação de hormonas como o estrogénio e progesterona, entre outras. Simultaneamente, são as hormonas estimuladas pelo eixo que vão regular a sua ativação (“feedback positivo/negativo”).

Neste post não nos vamos focar tanto na fisiopatologia da doença mas sim na apresentação e tratamento da mesma!

A AHF é das causas mais frequentes de amenorreia, juntamente com a gravidez e o síndrome dos ovários poliquisticos (com a qual é algumas vezes confundida, já que a ecografia também pode apresentar ovários multifoliculares – semelhantes aos ovários poliquisticos).  

Apresentação:

Geralmente apresenta-se como ausência de menstruação com uma duração maior ou igual a 6 meses e alguns autores dividem a AHF em 3 tipos principais:

  • Associado ao Stress
  • Associada à perda de peso
  • Associada ao exercício

Apesar destas associações, é importante salientar que a AHF pode estar presente independentemente do peso e IMC da pessoa em questão, sendo que mesmo mulheres normoponderais (com o peso considerado normal) podem apresentar AHF. Ainda assim, o défice calórico parece ser um factor crítico tanto na amenorreia associada a perda de peso como na que se associa ao exercício.

Uma  forma simples (mas muito pouco científica) de explicar o que acontece é imaginar que, numa situação de stress e défice calórico, o nosso corpo “decide” que não é a altura certa para engravidar, pelo que deixa de produzir as hormonas necessárias para a ovulação (que depois da fecundação resulta em gravidez).  Assim, acaba por haver diminuição dos níveis de estrogénio, sendo este também um aspecto característico deste tipo de amenorreia (e que se revela nas análises de sangue).

Outro aspecto importante é que, pelo facto do corpo não ser capaz de produzir um óvulo e ter níveis hormonais desregulados, é frequente a ecografia revelar múltiplos folículos no ovário (que normalmente apresenta dimensões normais). Este achado imagiológico leva algumas vezes a um diagnóstico de “síndrome dos ovários poliquisticos”, que nem sempre está correcto. O diagnóstico de síndrome dos ovários poliquisticos não é feito apenas com base na alteração na ecografia e amenorreia. É uma síndrome complexa que inclui alterações analiticas especificas (ausentes AHF) e que de forma geral é mais frequente em mulheres com excesso de peso do que com baixo peso.

Consequências

O défice de estrogénio prolongado não permite então que ocorra menstruação e pode ainda comprometer a função e qualidade da massa óssea. Nos casos de amenorreia é também necessário avaliar o endométrio (camada interna do útero), pois existe o risco de espessamento endometrial para além dos limites considerados normais.

É importante por isso que estas alterações sejam avaliadas por um ginecologista, através de ecografia ou outros meios complementares de diagnóstico adequados.  

A pensar nestas alterações, alguns profissionais sugerem a toma da pílula para regular os níveis hormonais (apesar de continuar sem haver ovulação) e recuperar a menstruação. Contudo, é importante perceber que a pílula não vai tratar a causa da amenorreia, vai simplesmente mascarar as suas consequências, pelo que tomar a pílula apenas com o propósito de tratar os sintomas não está recomendado atualmente.

Dependendo da causa, a AHF deve ser abordada de forma diferente, sendo que o objetivo será sempre tratar o problema de base. Muitas vezes os 3 tipos de AHF sobrepõem-se, já que é comum ver pessoas com alta restrição calórica e stress simultaneamente. Percebendo então porque ocorre, é importante falarmos do seu tratamento.

Tratamento

Alimentação e Exercício

Quase que é  irónico falar de ganho de peso e diminuição do exercício num blog em que promovemos tantas vezes o exercício físico e alimentação saudável. Mas a verdade é que nenhum extremo é saudável. Os fundamentalismos raramente são benéficos e o “ser saudável” é diferente de ser magro ou treinar por obrigação todos os dias. Assim, o que promovemos é o bem estar geral, ser activo, comer bem, mas saber relaxar também.

Apesar de não haver nenhum consenso ou recomendação específica relativamente ao número de treinos ou plano alimentar, sabemos que corrigir o balanço energético é um passo essencial no tratamento deste tipo de amenorreia. Assim, um dos primeiros passos é: parar de fazer dieta e parar de tentar emagrecer.  Neste sentido, a ajuda de um nutricionista pode ser útil mas, muitas vezes, quando a causa está relacionada com um distúrbio alimentar, é imprescindível procurar a ajuda de um profissional na área de saúde mental (da qual falaremos a seguir).

Relativamente à percentagem de massa gorda ou de peso necessários para recuperar as menstruações, é importante perceber que tecido adiposo (massa gorda) é essencial para formação de hormonas pelo que este é fundamental para o normal funcionamento do nosso organismo. Assim, perante uma AHF com peso e massa gorda abaixo do normal recomendado para a idade, é importante a recuperação do peso incluindo massa gorda.

Pessoalmente, acreditamos que mais do que metas de peso, é importante resolver comportamentos restritivos, já que estes também são um fator de stress importante, podendo contribuir para a desregulação hormonal.

Stress e saúde mental

Alguns autores referem alguns factores psicológicos em comum entre jovens com AHF, nomeadamente: perfeccionismo, história de dificuldades na infância, exposição a stress crónico e alterações do comportamento alimentar. Assim, é essencial abordar a vertente psicológica da AHF e trabalhar no sentido de melhorar a saúde mental. Assim, o acompanhamento por um psicólogo qualificado caso haja possibilidade e seja necessário deve fazer parte do tratamento.

Gostávamos de aproveitar para relembrar que a saúde mental é tão importante como a física. É óbvio para todos que um pé partido tem de ser visto e tratado por um médico. Então porque é que achamos que que uma depressão ou distúrbio alimentar se resolve “sozinho”? Saber pedir ajuda é essencial e tentar ser ajudado também. Comer tudo direitinho e fazer exercício 3-5 vezes por semana, chegando ao fim do dia exaustas, stressadas e revoltadas não é bom nem saudável. E por isso é tão importante deixar o estigma de lado e valorizarmos a nossa saúde mental tanto quanto valorizamos o nosso peso, análises, rastreios, etc..

Nota: Para quem não sabe, o acompanhamento psicológico pode ser feito através dos cuidados de saúde primários, pelo que quem não tem possibilidade de o fazer em hospitais ou clínicas privadas pode discutir com o seu médico de família essa possibilidade!

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico não vai ser abordado neste post, já que deve ser feito com o acompanhamento de um ginecologista ou endocrinologista.

Tratamento das consequências

As recomendações atuais da sociedade europeia de endocrinologia e da sociedade americana de medicina reprodutiva não aconselham a toma da pílula contraceptiva se o único propósito for recuperar a menstruação e melhorar a densidade mineral óssea.

Relativamente ao risco de infertilidade: calma. Muita gente fica em pânico com medo de não conseguir engravidar na altura que quiser. Actualmente, a maioria da evidência mostra que uma vez resolvidas as causas da amenorreia e com o acompanhamento certo, a fertilidade mantém-se e engravidar não é um problema. Ainda assim, é um ponto importante para nos relembrar que há coisas mais importantes que cumprir com todos os requisitos da sociedade, incluindo os de peso, carreira profissional ou académica, e forma corporal. A nossa saúde passa por sermos equilibrados. E por isso saber relaxar também é essencial 🙂

Conclusão

Este foi um tema muito pedido que foi ligeiramente adiado por ser bastante complexo. Foi tudo feito com base na evidência disponível mas este é um assunto que ainda precisa de muitos estudos e melhor compreensão do ponto de vista científico. Contudo, espero que vos tenha ajudado a perceber de que forma os estilos de vida têm um impacto no aparecimento da amenorreia funcional secundária. Qualquer dúvida deixem nos comentários que tentaremos responder. Deixo aqui umas últimas dicas para quem se encontra nesta situação:

  1. Recorrer ao médico de família/ginecologista/endocrinologista para excluir outras causas e perceber qual a causa em questão. Não tenham medo de fazer perguntas. É importante fazer uma extensa história clínica para perceber exactamente o que pode estar a causar a amenorreia.
  2. Saber que o primeiro passo para recuperar a menstruação é tratar a sua causa,  e portanto:
    1. Relaxar – Saber que é uma situação reversível e saber que com as estratégias certas as coisas podem melhorar. E que ,quando melhorarem, tudo voltará ao normal.
    1. Repor as calorias necessárias (que muitas vezes inclui diminuir o exercício físico e ganhar peso)
    1. Acompanhamento multidisciplinar – Muitas vezes é necessária ajuda de profissionais de saúde, incluindo psicólogo, nutricionista e ginecologista ou médico de família.
  3. Saber esperar: sabemos que pode ser frustrante ter feito o esforço de ganhar peso, diminuir a carga de exercício e tentar estar menos stressada, mas as coisas requerem o seu tempo. E é mesmo importante que o facto de estar em amenorreia não seja mais um factor de stress. Às vezes demora tempo, mas desde que o acompanhamento se mantenha e que se continuem a tratar as causas iniciais, estarão no bom caminho.

É isto! Este post tem como objectivo ajudar quem esteja nesta situação, sabendo que o primeiro passo é ser visto por um profissional de saúde especializado. Esperamos do fundo do coração que tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas.

Um grande beijinho

Bibliografia:

Gordon, C. M., MD. (2010). Functional hypothalamic amenorrhea. The New England Journal of Medicine. Retrieved March 4, 2019.

Gordon, C. M., MD, & Ackerman, K. E. (2017). Functional Hypothalamic Amenorrhea: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 1413-1439. doi:10.1210/jc.2017-00131

Klein, D. A., MD, & Poth, M. A., MD. (2013). Amenorrhea: An Approach to Diagnosis and Management. American Academy of Family Physicians. Retrieved March 2, 2019.

B.Meckzekalski, &K. Katulski. (2014). Functional hypothalamic amenorrhea and its influence on women’s health. Journal fo Endocrinology Investigation. doi: 10.1007/s40618-014-0169-3

Comer bem, ser activo, relaxar e dormir – o que é a Medicina do Estilo de Vida?

Alimentação, Artigos, Exercício, Gestão de stress, Sem categoria, Sono

A medicina do estilo de vida foi um dos motivos que nos levou a desenvolvermos este projeto. Neste post, vamos falar-vos um pouco sobre este tema que tanto nos apaixona e contextualizar a sua importância na sociedade actual.

O que é a Medicina do Estilo de Vida?

A Medicina do Estilo de Vida (MEV) é o uso terapêutico de intervenções de estilo de vida baseadas em evidência científica para tratare prevenir doenças relacionadas ao estilo de vida (como por exemplo: a diabetes, obesidade e hipertensãoarterial) num contextoclínico.

Caracteristicamente, nesta abordagem, os pacientes são encarados como parceiros ativos no tratamento: o profissional de saúde educa, guia e ajuda o paciente a adotar comportamentos salutares que abordam as causas subjacentes da doença e os medicamentos são usados como adjuvantes das mudanças de estilo de vida.

Os 6 Pilares da Medicina do Estilo de Vida:

  1. Alimentação Saudável
  2. Atividade Física
  3. Cessação Tabágica
  4. Sono Adequado
  5. Gestão de Stress
  6. Rede social de apoio

Porque é tão importante?

Atualmente em Portugal, à semelhança do que acontece nos chamados países desenvolvidos, deparamo-nos com problemas de saúde muito diferentes daqueles que enfrentávamos há uns anos atrás.

Por um lado, os portugueses vivem mais mas por outro, vivem os seus últimos anos de vida com mais comorbilidades: diabetes, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, obesidade e doenças oncológicas e consequentemente, com menos qualidade de vida. Infelizmente, como podemos ver no gráfico abaixo, Portugal é dos países europeus que apresenta menos anos de vida saudável depois dos 65 anos.

Hoje em dia, as doenças crónicas são responsáveis por 80% da mortalidade nos países europeus; em Portugal, as doenças cérebro-cardiovasculares (ex: acidente vascular cerebral-AVC, enfarte agudo do miocárdio- EAM) e o cancro são as principais causas de morte.

Efetivamente, sabe-se que o envelhecimento da população leva ao aumento de doenças crónicas. Além disso, adotámos novos estilos de vida, com comportamentos que determinam fortemente o estado da nossa saúde. De facto, o aparecimento das doenças crónicas está relacionado com fatores de risco dos quais se destacam: o excesso de peso, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo.

Por exemplo, em Portugal, um quarto do peso da doença tem origem em fatores de risco comportamentais como o tabagismo, o consumo de álcool e os hábitos alimentares. (situação esta que acompanha a tendência europeia). Em relação ao tabaco, é uma das principais causas evitáveis de morte prematura por cancro, por doenças respiratórias e por doenças cérebro-cardiovasculares. Em Portugal, o tabaco contribui para uma morte a cada 50 minutos e uma em cada 4 mortes entre os 50 e 59 anos é devida ao tabaco.

Portanto, é importante notar que, se eliminássemos os principais fatores de riscomodificáveis (ou seja, aqueles que podemos intervir e corrigir), conseguiríamos prevenir muitas dessas doenças e ganhar muitos anos de vida mais saudável.

Concluindo, as escolhas diárias que fazemos hoje podem ter um grande impacto na nossa qualidade de vida futura. Há muita coisa que está ao nosso alcance no que toca a preservar e lutar pela nossa saúde. Num post futuro, aprofundaremos um pouco mais cada um dos pilares de um estilo de vida saudável.

Bibliografia:

  • Ministério da Saúde(2018), Retrato da Saúde, Portugal.
  • Byung-Il Yeh and In Deok Kong. The Advent of Lifestyle Medicine.  Lifestyle Med. 2013.
  • Official Standards of the American College of Lifestyle Medicine-Lifestyle Medicine Standards Taskforce.

Óleo de coco – a Gordura milagrosa?

Alimentação, Sem categoria

Olá olá! Como já começa a ser costume, domingo é dia de post no blog. Hoje falamos um pouco sobre o óleo de coco. Os mitos são muitos mas hoje vamos focar-nos apenas naquele que nos diz mais respeito: óleo de coco e doença cardiovascular (que engloba doenças do coração e vasos sanguíneos).

O mundo digital têm muita coisa boa: as redes sociais ajudam-nos a partilhar ideias e projectos bons, mas a verdade é que também facilmente espalham informação errada e sem grande fundamento. O objectivo deste post é esclarecer algumas ideias erradas de forma sucinta e para isso tentamos que a informação seja clara e fácil de pôr em prática! (obviamente, sempre baseada na evidência disponível!)

Na verdade, o óleo de coco já é usado há anos e anos e quem defende muito o seu uso geralmente fala do seguinte:

1. “É uma boa fonte de triglicéridos de cadeia média, que ajuda a emagrecer. “

2. ” O óleo de coco aumenta o colesterol bom. ”

3. ” O óleo de coco diminui o risco cardiovascular.

Para explicar isto temos primeiro de falar sobre gordura. De forma resumida, podemos dividir as gorduras provenientes da dieta em dois grandes grupos: gorduras saturadas e gorduras insaturadas. Essencialmente, o que as torna diferentes é a sua estrutura química. Um ácido gordo apenas com ligações simples é chamado um ácido gordo saturado, enquanto que se tiver ligações duplas é um ácido gordo insaturado. É isto que depois faz com que se comportem de forma diferente no nosso corpo e, consequentemente, tenham diferentes implicações na nossa saúde.

Gorduras saturadas: Geralmente são sólidas em temperatura ambiente (ex. manteiga, margarina, óleo de coco) e são as que sempre ouvimos dizer que fazem mal. Porque têm mostrado aumentar o colesterol LDL, que é o colesterol que tem maior tendência a acumular-se nas artérias e por isso aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Na verdade, fazer mal ou não depende mais vezes da quantidade em que consumimos os alimentos, e não tanto no alimento em si. A AHA (american heart association) recomenda que o consumo máximo de gorduras saturadas seja de aproximadamente 5-6% das calorias totais ingeridas.

Gorduras Insaturadas: Estas são geralmente líquidas em temperatura ambiente e incluem o azeite e outros óleos vegetais. Temos também aqui 2 grandes grupos: gorduras monoinsaturadas (presentes maioritariamente no azeite e outros óleos vegetais, frutos secos e sementes) e poli-insaturadas (ómega 3 e 6 – São gorduras essenciais porque o nosso corpo não as sintetiza, sendo por isso obrigatório que as obtenhamos através da dieta).

Há ainda um terceiro grupo que são as gorduras trans: estas geralmente são gorduras insaturadas que passam por um processo de hidrogenação para passar de forma líquida a sólida. Estas são as gorduras que devemos de facto evitar, e que se encontram maioritariamente em produtos hiperprocessados, já que são o resultado de um processamento industrial.

Adicionalmente, também podemos dividir as gorduras em triglicéridos de cadeia curta (TCC), média (TCM) ou longa (TCL). Os TCM são absorvidos de forma muito mais eficiente que os outros triglicéridos, já que passam directamente para a circulação e são, por isso, uma excelente fonte de energia rapidamente disponível.

Então mas se o óleo de coco tem muita gordura saturada, porque teria benefícios?

De facto, não faz imenso sentido. O óleo de coco, que têm à volta de 80% de gorduras saturadas, tem também bastante ácido láurico (um TCM), e esta é uma das características que põe este alimento num falso pedestal.

Os grandes benefícios que muitas vezes se associam ao óleo de coco, na verdade, prendem-se apenas com o seu teor de TCM. Em alguns estudos, os TCM foram associados ao aumento do colestrol HDL e aumento do metabolismo (efeito termogénico). Adicionalmente, por serem uma rápida fonte de energia, têm sido alvo de estudos para doentes com alterações na absorção de gorduras.

Contudo, é importante perceber que não podemos generalizar informação de estudos altamente específicos, para um alimento no seu todo. Ou seja, é diferente dizer “os TCM mostraram benefícios” de “o óleo de coco mostrou benefícios”. Porque o oleo de coco tem TCM sim, mas também tem muita gordura saturada, que tem outras implicações e que já foi associada a aumento do risco cardiovascular. Um exemplo prático é: alguns cereais tem bastante fibra, e sabemos que a fibra têm múltiplos benefícios. Mas se esses cereais tiverem 30g de açúcares adicionados, serão uma boa fonte de fibra? Talvez não. Mais do que olhar para componentes isolados, é essencial olharmos para os alimentos como um todo.

Já muitos de nós ouvimos falar sobre colesterol bom e mau. Sendo que o “bom” geralmente se refere ao Colesterol HDL, que tem a capacidade de transportar colesterol das artérias para o fígado, e o colesterol “mau” ao LDL, que é o tipo de colesterol que se deposita nas artérias e forma placas de colesterol, que podem aumentar o risco de eventos cardiovascular.

De facto, alguns estudos associaram o óleo de coco ao aumento do colesterol HDL, contudo, actualmente não há grande evidência que associe o aumento de colesterol HDL a uma diminuição do risco cardiovascular. Na prática médica, o que nos interessa mais é a diminuição do colesterol LDL, já que essa sim já foi associada a menor risco cardiovascular.

Uma nota sobre sustentabilidade.

Este nao é bem um mito, mas é algo que achamos relevante abordar. O óleo de coco é maioritariamente importado para Portugal, o que o torna obviamente mais caro e também menos sustentável. Somos um país que produz azeite de excelente qualidade, e por isso achamos que faz sentido que se aposte mais no consumo desta gordura. Para além de ser bem mais barata que o óleo de coco, é uma ótima fonte de gorduras insaturadas, e estamos a apoiar produtores nacionais!

Conclusão:

As gorduras são essenciais para o bom funcionamento do nosso corpo. E, à partida, uma dieta equilibrada não exclui nenhum grupo de macronutrientes. Relativamente às gorduras, o que a evidência parece mostrar, é que substituindo o uso de gorduras saturadas e trans por gorduras insaturadas, podemos diminuir o risco de doença cardiovascular. Isto é, substituir a gordura das manteigas e margarinas por gordura de azeite, frutos secos e peixes gordos.

Nenhum alimento é milagroso. Nem nenhum alimento é vilão. O óleo de coco por si só não é nenhum vilão. E pode, obviamente, ser incluido como fonte de gordura de forma pontual. Da mesma forma, também não é nenhum alimento milagroso, e sabemos que, por si só, não está associado a perda de peso, aumento de metabolismo ou alteração significativa de saúde. Adicionalmente, os benefícios relacionados com o consumo de óleo de coco mais usados em campanhas de marketing, muitas vezes estão associados aos triglicéridos de cadeia média e não ao óleo de coco directamente (composto por 80% de gordura saturada, da qual aproximadamente 50% são TCM).

O que realmente faz diferença na saúde e bem estar de um indivíduo, são as alterações de estilo de vida que fazemos de forma global, e é nessas que nos devemos focar, sem nos prendermos a fundamentalismos.

Esperamos que este post tenha sido útil. Caso tenham ficado com dúvidas comentem para que possamos responder :)!