Rastrear – Sim ou não? Quais as recomendações?

Olá a todos!!

Na semana passada, falámos sobre checkups (se não leram aconselhamos muito!!), e concluímos que estes não estão recomendados em pessoas saudáveis e sem qualquer sintoma. No entanto, não podíamos deixar de falar do caso específico dos rastreios que têm evidência científica que sustenta a sua realização. Estes sim, devem serrealizados mesmo em pessoas saudáveis.

Iremos falar essencialmente sobre os rastreios oncológicos do cancro de mama, colo de útero e cólon e reto. Estes rastreios devem ser realizados em qualquer pessoa, mesmo sem fatores de risco para além da idade e do sexo. De destacar que a presença de sintomas ou fatores de risco pessoais ou familiares pode justificar a realização destes testes numa periodicidade diferente (e nesses casos não são seguidos os critérios que iremos falar de seguida).


Para que serve um rastreio?

Um rastreio tem por objetivo detetar e tratar doenças numa fase precoce de forma a diminuir a mortalidade e morbilidade associadas.

Assim, fazem parte dos programas de rastreios doenças com impacto na saúde em que existem formas de diagnóstico e de tratamento disponíveis e acessíveis à população.

Cancro do colo do útero

Destina-se à população do sexo feminino com idade igual ou superior a 25 anos e igual ou inferior a 60 anos. Antes dos 25 anos apenas é realizado caso a vida sexual tenha começado há mais de 3 anos.

O teste primário é a pesquisa do vírus do papiloma humano -HPV (pesquisa de ácidos nucleicos dos serotipos oncogénicos do HPV), em citologia vaginal, a realizar de 5 em 5 anos. Entre os 25 e os 30 anos poderá ser feita apenas a citologia (análise ao microscópio das células do colo do útero recolhidas) de 3 em 3 anos na ausência de alterações.

Cancro de mama

Destina-se à população do sexo feminino, com idade igual ou superior a 50 anos e igual ou inferior a 69 anos. O teste utilizado é a mamografia e, caso o resultado da anterior não tenha alterações, é realizado com uma periodicidade de 2 anos. Em alguns casos pode ser pedida ecografia mamária para complementar a interpretação da mamografia.

Cancro do cólon e reto

Destina-se à população de ambos os sexos com idade igual ou superior a 50 anos e igual ou inferior a 74 anos. O teste primário é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, pelo método imunoquímico, a realizar de 2 em 2 anos e, na presença de um resultado positivo, deve ser realizada colonoscopia total. Em alguns casos também se poderá optar pela realização de colonoscopia como método de rastreio, a realizar de 10 em 10 anos, caso não hajam alterações.

PSA, fazer ou não fazer?

A determinação do antigénio específico da próstata (PSA) não deve ser prescrita para rastreio populacional de carcinoma da próstata. Ou seja, numa pessoa sem sintomas não está recomendado por rotina dosear o PSA. Esta avaliação apenas faz sentido na presença de sintomatologia ou para monotorização de carcinoma de próstata após tratamento.

Tentámos que este post fosse o mais simples possível, sem detalhar os procedimentos de casos mais específicos visto que o nosso objetivo é apenas aumentar a literacia em saúde numa população saudável. Em casos de sintomatologia ou doença conhecida deve ser sempre consultado um médico.

Esperamos que a informação vos seja útil.

Beijinhos

Bibliografia:

– Diário da república eletrónico – Despacho n.º 8254/2017

– Consenso sobre infecção por HPV e neoplasia intraepitelial do colo do útero e vagina

–  NOCs Prescrição e Determinação do Antigénio Específico da Próstata

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